terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nova Tecnologia e Inovação

 
 OS QUATRO MOMENTOS DE UM PROCESSO DE INOVAÇÃO

 
O tema inovação tem tido vasto uso, pois traz  a projetos, conferências e textos a sedução do novo, coisa apreciada em tempos em que os originais são poucos e muito são as cópias.

Ao falar de inovação seria conveniente lembrar que esta palavra traz um sentido de ação em um processo completo que vai do surgimento de um fato ou idéia até a aceitação deste por uma comunidade. Este grupo de pessoas é que vai decidir se aceita ou rejeita uma coisa nova  que pode estar substituindo um similar já existente. Ao aceitar o novo existe uma crença compartilhada de que isto trará um acréscimo ao bem estar de todos. O processo em si tem quatro etapas principais.

Ao momento inicial chamamos de antecedentes contextuais remotos. Podem representar um conhecimento que foi sendo formado no tempo para se transformar em inovação. Um mecanismo  forjado para servir aqui, mas que se completou para distinta intenção e seguiu  outro caminho. As conjunções remotas moldam o mundo já vivido com a perspectiva da sociedade quando em situações concretas de vida.

O segundo  momento no processo de inovação seriam as configurações contextuais imediatas, coisas como: infraestrutura educacional, estrutura de pesquisa e desenvolvimento instituída, estrutura existente para engenheirar coisas, um sistema de informação operacional e uma vontade política que coincida com a vontade econômica.

O terceiro momento seria o de assimilação do conhecimento novo pelos habitantes de um determinado espaço. O quarto momento, o mais importante, é o momento de decisão: aceitação ou rejeição. Quando da aceitação é, também,  o momento de adoção da inovação.

Houve uma aquisição de conhecimento e um julgamento de valor nos momentos anteriores. A adoção encaminha a implantação e o uso da inovação; uma aceitação para adoção  implica na criação de conhecimento que permite reinovar o novo adaptando-o a condições contextuais harmoniosas.

É necessário lembrar que inovação  não é sinônimo de nova tecnologia. A nova tecnologia representa uma sucessão de novos eventos coesos e em conjunção com técnicas e processos com uma intenção de transformação. Quando comparada a inovação é uma configuração estática. Já a  inovação é a aceitação com assimilação de conhecimento e ações de implantação da tecnologia pelos habitantes de um determinado espaço social. Mostra uma condição dinâmica.

Neste quadro é a informação livre que melhora o homem e sua realidade. Se a introdução da novidade não abrange um espaço, por qualquer razão, que não seja o livre arbítrio de seus habitantes, ela não acontece. De nada adianta uma luz  se ela não brilha ali. Só em convivência se decide e aceita a introdução da novidade.

Disponibilizar o acesso á informação para um conhecimento em rede disponível para todos têm sido o sonho de grande número de pessoas e seus instrumentos. Da prisão dos conteúdos nos muros medievais dos mosteiros copistas até realidade da web muitas pessoas e mecanismos se agregaram para este fim. A intenção de rede vem de muito longe e foi por vezes governada pelo imponderável.

Assim, Francis Bacon em 1579  intuiu  que as inovações trazidas para a criptografia dos conteúdos seria o futuro das máquinas inteligentes do século XX. Em seus escritos a palavra informação  expressava  "intelligence". Ele propôs a formação de times de cientistas, os doze "Mercadores da Luz" com a missão de percorrer o mundo a procura de livros de resumo em ciência e tecnologia e modelo de protótipos. As inovações propostas por Bacon se materializaram, em parte, em 1662  com a ajuda da Royal Society de Londres, com fomento dos comerciantes locais.

Gottfried Leibnitz expondo em 1703 o mecanismo de redução dos números reais a 0  e 1   propõe uma máquina de calcular que reunia as características essenciais do calculo binário, o fundamento da atual arquitetura computacional, mas a máquina não foi adotada. As condições econômicas e as tecnologias estabelecidas a rejeitaram.  A mão-de-obra envolvida em sua construção seria maior que o trabalho economizado com sua utilização e manutenção. Naquele momento complexidade e incerteza eram palavras sinônimas


Em 1819,  Charles Babbage usando os conceitos de divisão do trabalho de Adam Smith (1776) constrói o protótipo que possibilitará uma inovação para troca de informação em rede que desembocaria mais tarde na web de Timothy Bernes-Lee em 1991. Cerca de 500 anos em que uma inovação foi se construindo com diferentes intenções. O objetivo de Babbage era ajudar as grandes companhias de seguro em seus cálculos atuariais para um melhor faturamento. Na sua distribuição a informação contou primeiro com a agilização criada pelo telégrafo elétrico em 1837 cuja intenção inicial ao distribuir a informação era servir ao aparato de guerra.


O monge agostiniano Gregor Mendell em 1865 formula e apresenta as suas idéias em dois encontros da Sociedade de História Natural de Brno, na atual República Checa, eram as suas leis da genética, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. As suas descobertas permaneceram praticamente ignoradas até o início do século XX quando foram citadas e publicadas.

Estas leis da genética que possibilitaram a compreensão e análise do DNA, por motivos imponderáveis,  ficaram ocultas atrasando talvez em quase cinquenta anos o tratamento e a cura de tantas aflições.  Esta barreira à inovação foi, também,  um problema de organização da informação e tão forte foi esta sensação em Vannevar Bush que este quis elaborar uma máquina para lidar com o controle dos documentos. A máquina Memex nunca foi produzida, mas o  seu famoso artigo escrito em 1945 deu início a uma nova ciência para a informação. Uma ciência que viria a estudar as tecnologias e as redes de distribuição do saber. Um encadeamento novelístico de séculos para gerar a grande inovação.

O processo de inovação agrega para a sua efetivação diversas intenções. De todas a mais admirável  é  melhoria do status do homem e seu contexto. E tudo isso  acontece,  pois nada envelhece mais rápido que o novo.

Aldo de A. Barreto
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Referências:

- A história da sociedade da informação de Armand Mattelart, Edições Loyola 2006

Francis Bcon
http://en.wikipedia.org/wiki/New_Atlantis

Gottfried Leibniz
http://en.wikipedia.org/wiki/Gottfried_Leibniz#Information_technology

Charles Babbage
http://tinyurl.com/yj8rmkb

Timothy "Tim"  Berners-Lee
http://es.wikipedia.org/wiki/Tim_Berners-Lee

O início do telégrafo elétrico
http://tinyurl.com/yj8rmkb

Gregor Mendell
http://es.wikipedia.org/wiki/Gregor_Mendel

Vannevar Bush
http://es.wikipedia.org/wiki/Vannevar_Bush

As We May Think (o efeito Mendel/Bush)
http://www.theatlantic.com/doc/194507/bush
 


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