sábado, 13 de junho de 2009

Morre o Frei Rovílio Costa


Frei Rovílio Costa

Patrono da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 2005, Frei Rovílio Costa, 74 anos, morreu na manhã deste sábado em Porto Alegre. O corpo do frade capuchinho e sacerdote foi encontrado em sua casa. Ele provavelmente foi vítima de um infarto. O velório está programado para as 14h deste sábado no Convento dos Capuchinhos (Rua Paulino Chaves, 291, Bairro Santo Antônio). A missa ocorre amanhã, às 10h, na Igreja Santo Antônio (Rua Luiz de Camões, 35, Bairro Partenon), seguida do enterro no cemitério do Convento dos Capuchinhos. Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Mestre em Educação e Livre Docente em Antropologia Cultural, Frei Rovílio Costa era um dos maiores pesquisadores e editores de livros sobre a imigração no Rio Grande do Sul. Esse trabalho nasceu de um desejo de recuperar o microcosmo de sua própria infância — como admitiu em entrevista ao caderno Cultura, de ZH, em 2005, ano em que também foi um dos finalistas do Prêmio Fato Literário, da RBS. Escreveu mais de 20 livros e, na direção da EST Edições, o Frei das Letras promoveu, desde 1973, a publicação de mais de 2 mil títulos, envolvendo mais de 3 mil autores, que recontam a história da imigração italiana (a sua própria origem), a da alemã (nacionalidade do único pastor luterano que morava na Veranópolis em que cresceu) e judaica (como o médico que tratava de sua família). Nos últimos anos, dedicou-se à escravidão negra (como negros eram os tropeiros que tiravam pouso na casa de seu pai). Caçula de sete irmãos, Rovílio contou a ZH que a opção pelo sacerdócio começou a germinar enquanto o ainda menino estava prostrado por uma meningite. — Naquela época, diziam que quem tinha meningite e sobrevivia ficava meio tonto. Como se vê, eu fiquei completamente tonto — brincou o Frei das Letras. Hospitalizado por quase três anos devido à doença, o garoto Rovílio começou a perceber o poder tranqüilizador que exercia sobre os doentes a chegada de um padre. A mãe trabalhava no hospital para ajudar a custear o tratamento do filho. Ativa na missão de acompanhar doentes e prestar assistência aos necessitados, levava vez por outra o garoto com ela. Ingressou no seminário no dia 4 de fevereiro de 1946, aos 11 anos, meio às escondidas do pai, prático como a maioria dos imigrantes. — Meu pai tinha a opinião de que só precisava sair de casa para trabalhar quem não tinha serviço em casa, e, numa família de agricultores, serviço em casa era o que não faltava. Ele também dizia que padre que usava batina mas não rezava missa não era padre de verdade. Em 1969, tornou-se padre. Nessa mesma década, passou a pesquisar sobre a história da imigração. Professor em Vila Ipê (na época distrito de Vacaria), Rovílio costumava frequentar uma bodega na qual era comum encontrar um grande número de velhos moradores da comunidade, jogando quatrilho e tomando cachaça ou vinho de garrafão. Os nonni contavam causos, falavam alto em dialeto, relembravam a história viva da colônia ali mesmo, na frente do sacerdote, que, preocupado em preservar toda aquela memória antes que os mais velhos morressem, começou a tomar notas obsessivamente e a organizar as narrativas que lhe eram contadas. Escreveu uma série de histórias para o jornal Correio Rio-Grandense, de Caxias do Sul, material nunca publicado. Anos mais tarde, com base em suas notas, Frei Rovílio lançaria um dos livros clássicos sobre a colonização: Imigração Italiana: Vida, Costumes e Tradições. — Documentos, registros, nomes e datas são o esqueleto da história. O que precisamos é preencher o máximo possível esse esqueleto com a carne do relato cotidiano — comentava o frade.

Jornal Zero Hora


Relembrem a entrevista do Frei Rovílio ao Blog do Ale'Italia em 2007:
http://blogdoaleitalia.blogspot.com/2007/09/exclusivo-entrevista-com-frei-rovilio.html

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Imigrantes em Leopoldina, MG


Imigrantes em Leopoldina, MG Imigrantes em Leopoldina, MG

Imigrantes em Leopoldina, MG 



Quais as terras que fizeram parte da Colônia?

Posted: 11 Jun 2009 01:51 PM PDT

Aos leitores que pediram mais esclarecimentos sobre o território da Colônia Agrícola da Constança, informamos que abrangia as terras que contornam, por todos os lados, o chamado "trevo de Juiz de Fora". A partir do entroncamento da BR 116 (rodovia Rio - Bahia) com a BR 267 (estrada Leopoldina - Juiz de Fora), pelas duas margens desta última e até as proximidades do distrito de Tebas, praticamente tudo fez parte da Colônia. Os lotes da margem esquerda da BR 267 teriam seus fundos ou divisas no alto da serra da Vileta. Pela margem direita, no sentido Leopoldina - Juiz de Fora, o loteamento se aprofundava até próximo das propriedades denominadas Bonfim e Taquaril, perto do que se conhece hoje como Samambaia. Desde ponto, e numa linha mais ou menos paralela à BR 267, seguindo até encontrar novamente a BR 116 nas proximidades da Igreja de Santo Antonio, no bairro da Onça, os dois lados pertenciam à Colônia.

Da Igreja até o trevo de Juiz de Fora, o lado direito da Rio Bahia fazia parte da Colônia. No sentido inverso, ou seja, da Igreja para o centro da cidade, até o Posto da Polícia Rodoviária o lado esquerdo continha lotes da Constança.

Hoje a área da Colônia é geralmente conhecida como os bairros rurais da Onça - na parte mais próxima à sede municipal, Boa Sorte e Constança - no trecho que vai do trevo de Juiz de Fora até as proximidades do distrito de Tebas.

A parte que hoje é conhecida como Boa Sorte é cortada por estrada municipal de boa conservação, com linha regular de ônibus municipal e oferece um belo trajeto para um passeio de bicicleta ou uma cavalgada.

Veja, ainda, o post Localização da Colônia, que traz um mapa do local.

Passeio de Bicicleta pela Colônia

Posted: 11 Jun 2009 10:06 AM PDT

O caderno Boa Viagem, do jornal O Globo de hoje, traz matéria sobre passeios de bicicleta. Imediatamente nos lembramos de uma das sugestões para comemorar o Centenário da Colônia Agrícola da Constança. A ideia é que as pessoas pedalem pelos caminhos da Colônia, lembrando aqueles bravos imigrantes que implantaram em Leopoldina uma nova forma de produção agrícola, desenvolvida em suas pequenas propriedades, e contando com o empenho de todos os membros da família.

Conforme está na matéria, quem faz uma viagem motorizada nem sempre observa o trajeto, ou seja, não curte a própria viagem. Já os deslocamentos de bicicleta permitem que o viajante perceba paisagens diferentes daquelas flagradas pela janela do veículo ou nas rápidas paradas na beira das estradas.

Quando sugerimos que se faça um passeio de bicicleta pelas estradas da Colônia, a ideia é convidar o participante para um agradável passeio de reconhecimento. Ver ou rever o local que abrigou inúmeros imigrantes que chegaram a Leopoldina no final do século XIX. Deixar a imaginação fluir através da paisagem que se descortina. E, acima de tudo, comemorar a marca que os colonos deixaram em nossa cidade, com seus exemplos de honradez e de trabalho profícuo.

Todos nós, leopoldinenses, somos herdeiros daqueles imigrantes. Ainda que não o sejamos de sangue, deles recebemos o legado de uma parte importante da nossa história. Portanto, abrace a ideia de comemorar o Centenário da Colônia Agrícola da Constança e os 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina.

Imigrantes em Leopoldina, MG

Imigrantes em Leopoldina, MG

Imigrantes em Leopoldina, MG 



Colônias de Imigrantes em Minas Gerais

Posted: 10 Jun 2009 05:16 AM PDT

O quadro a seguir contém informações sobre os núcleos coloniais mineiros, extraídas dos Relatórios da Presidência da Província de Minas Gerais e do trabalho pioneiro de Norma de Goes Monteiro, publicado pela Editora Itatiaia em 1994, sob o título migração e Colonização em Minas 1889-1930



Nome do Núcleo Fundação Local
1
São João del Rei Antes de 1899 São João del Rei
2
Rodrigo Silva Antes de 1899 Barbacena
3
Francisco Sales 1893 Pouso Alegre
4
Carlos Prates 1899 Subúrbio da Capital
5
Américo Werneck 1899 Subúrbio da Capital
6
Afonso Pena 1899 Subúrbio da Capital
7
Bias Fortes 1899 Subúrbio da Capital
8
Adalberto Ferraz 1899 Subúrbio da Capital
9
Nova Baden 1900 Lambari
10
Vargem Grande 1907 Subúrbio da Capital
11
Itajubá 1907 Itajubá
12
João Pinheiro (federal) 1908 Sete Lagoas
13
Constança 10.4.1910 Leopoldina
14
Santa Maria 20.4.1910 Astolfo Dutra
15
Barão de Ayuruoca 1910 Mar de Espanha
16
Inconfidentes (federal) 1910 Ouro Fino
17
Major Vieira 1911 Cataguases
18
Rio Doce 1911 Ponte Nova
19
Wenceslau Braz 1912 Sete Lagoas
20
Pedro Toledo 1912 Carangola
21
Guidoval 1913 São Domingos do Prata
22
Joaquim Delfino 1914 Cristina
23
Vaz de Melo 1915 Viçosa
24
Álvaro da Silveira 1920 Pitangui
25
David Campista 1921 Bom Despacho
26
Júlio Bueno Brandão 1921 Peçanha
27
Francisco Sá 1921 Teófilo Otoni
28
Padre José Bento 1923 Pouso Alegre
29
Brucutu 1924 Santa Bárbara
30
Raul Soares 1926 Pará de Minas
31
Mucuri 1927 Teófilo Otoni

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