BrasilAlemanha - De Primeiro Mundo por um Brasil de Primeiro Mundo
Notícia do portal www.brasilalemanha.com.br - um universo temático à sua espera. Aguardamos sua visita! Cadastre seus amigos (quadro abaixo), que poderão descadastrar-se a qualquer momento, sem problema, caso assim optarem, acionando mecanismo simples de remoção, inserido no próprio mailing. Ou mande suas sugestões para: contato@brasilalemanha.com.br. Obrigado! Sílvio Aloysio Rockenbach, editor. |
terça-feira, 17 de julho de 2012
A imigração alemã e a industrialização - Revista Eletrônica BrasilAlemanha
Capital de Minas é transferida para Mariana - Dia de Minas : 16 de Julho
Descendentes de judeus pernambucanos em Nova Iorque
Cemitério de NY guarda história de judeus do Brasil
Descendentes de famílias expulsas de Pernambuco por Portugal em 1654 se tornaram figuras proeminentes na sociedade americana
GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE , NOVA YORK - O Estado de S.Paulo
Entre prédios com tinta descascada no bairro de Chinatown em Manhattan, o cemitério dos judeus originários do Recife e seus primeiros descendentes é um dos mais bem guardados segredos de Nova York. Poucos conhecem pessoalmente as tumbas das primeiras famílias judias que viveram na metrópole com a segunda maior população judaica do mundo, depois de Tel Aviv. Muito menos sabem que elas vieram do Brasil.
Apesar do desgaste de séculos de chuva, sol e neve, ainda dá para ler em algumas tumbas sobrenomes como Fonseca, Seixas, Gomes, Nunes, Cardozo, Castro e Bueno de Mesquita. Todos judeus portugueses ou espanhóis, com passado ligado ao tempo de domínio dos holandeses no Recife, onde a primeira congregação judaica das Américas foi construída.
Em 1654, Portugal retomou o controle de Pernambuco, que estava nas mãos dos holandeses da Companhia das Índias. Era o fim de uma era de liberdade para os judeus nas terras brasileiras. Eles mais uma vez eram expulsos pela coroa portuguesa. Antes, durante a Inquisição, haviam sido obrigados a deixar Portugal e rumar para a protestante Holanda, onde não eram alvo de perseguição.
Piratas. Com a expulsão do Recife, alguns milhares de judeus seguiram para a Holanda em 17 barcos. Uma dessas embarcações se perdeu e foi atacada por piratas espanhóis.
"Resgatados por um navio francês, foram levados para Nova Amsterdã, hoje conhecida como Nova York. Eram 23 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças", afirma Zacharia Edinger, o shamash (diretor de ritual) da gigantesca sinagoga Hispano-Portuguesa, denominada Shearit Israel. Localizada diante do Central Park, é a herdeira da primeira congregação judaica de Nova York. Atualmente, são eles que possuem as chaves do cemitério em Chinatown, abrindo-o em raras ocasiões, como nesta visita do Estado.
Os descendentes desses judeus portugueses se transformaram em figuras proeminentes na sociedade americana. Um deles, Benjamin Cardozo, já falecido, alcançou o posto de juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos. Outro, Bruce Bueno de Mesquita, professor da Universidade de Nova York, é o mais destacado especialista de teoria dos jogos aplicada à ciência política.
Antes mesmo de entrar no cemitério, em um movimentado cruzamento, há uma placa, em inglês, com os dizeres "O Primeiro Cemitério da sinagoga Hispano-Portuguesa, Shearit Israel, na Cidade de Nova York".
O tamanho do terreno é pouco maior do que o de duas quadras de tênis. Parte acabou sendo destruída quando uma rua foi construída décadas atrás. Ao redor, famílias chinesas observam muitas vezes sem entender o que existe de especial nesse cemitério unindo as histórias de Brasil, EUA, Portugal, Holanda e da diáspora judaica.
Inscrições. Algumas tumbas possuem inscrições em português, inglês e hebraico. Há palavras como "Faleceu" e "Aqui Jaz". Uma delas tem o nome de Gershom Mendes Seixas, um dos rabinos mais importantes da história dos Estados Unidos e com um sobrenome que não esconde suas origens portuguesas. Ele era descendente dos judeus que vieram do Recife e foi líder da congregação na época da Revolução Americana.
"Visitar o cemitério foi como viajar no tempo. Ver sobrenomes portugueses no cemitério retrata uma face interessante de Portugal e do Brasil, mostrando que o elemento judaico é integrante do tecido social brasileiro e português, com nomes completamente portugueses", afirma o executivo Sergio Suchodolsky, que visitou o cemitério com o Estado.
O israelense Efrahim Gil afirmou que esperava desde 1966 para ir ao local nesta inédita visita.
O rabino brasileiro Mendy Weitman, do Jewish Latin Center, em Manhattan, disse ser "uma honra entrar no cemitério e ver como 23 judeus vindos do Brasil conseguiram construir a maior comunidade judaica fora de Israel, em Nova York" - seu pai, o rabino David Weitman, da Congregação Beit Yaacov, em Higienópolis, região central, escreveu o livro Bandeirantes Espirituais, justamente sobre os judeus do Recife.
Escavações acharam espaço usado para banhos de purificação
Ao longo dos séculos, sinagoga localizada no Recife Antigo teve outras ocupações - de comércio de açúcar a banco
Depois de funcionar 18 anos no século 17, o espaço da Kahal Zur Israel teve diferentes ocupações - de comércio de açúcar a banco. Em 1998, em meio a um projeto da prefeitura de revitalização do Recife Antigo, foi criada uma comissão de especialistas para resgatar a sinagoga e a história da presença judaica em Pernambuco. Consolidou-se então a ideia de transformar a antiga edificação em patrimônio histórico.
O projeto arquitetônico foi idealizado pelo arquiteto José Luiz da Mota Meneses, que recriou as características originais da Kahal Zur Israel, enquanto uma prospecção arqueológica sob comando do professor Marcos Albuquerque levou a descobertas de detalhes, como datas e materiais de paredes, pisos e telhado. Tudo fundamentado em um manuscrito de 1657 e publicado em 1839, que foi descoberto pelo professor José Antônio Gonsalves de Mello em suas pesquisas na Holanda. Seu conteúdo mostrou o inventário das casas do Recife "construídas ou reformadas por flamengos ou judeus" durante a fase do Brasil Holandês (1630-1654). Entre elas, a Sinagoga do Recife.
Nas escavações arqueológicas, foram descobertos o "Miqvê", utilizado para os banhos de purificação espiritual e renovação dos judeus e o poço que o alimenta (Bor). Um Tribunal Rabínico, composto por três autoridades no assunto, analisou os achados e confirmou tratar-se da piscina ritual, com base nas medidas do local.
O Núcleo de Pesquisa do museu tem estudos e pesquisas sobre os séculos 16, 17, 20 e 21. A biblioteca possui acervo físico e virtual, coleções de documentos - muitos já transcritos - e um banco de depoimentos de imigrantes do século 20. / A.L.
Na sinagoga diante do Central Park, nomes em português
Os judeus do Recife mantiveram como herança nomes e influências portuguesas. Embora a maioria da Congregação Hispano-Portuguesa não descenda dos pioneiros que vieram de Pernambuco a Nova York, ritos da sinagoga diante do Central Park ainda usam expressões em português.
As cadeiras do presidente e vice da congregação são "bancos". Quem carrega a Torah é o "levantador". O coral ainda executa cânticos em português arcaico. "As diferenças entre os diferentes grupos de judeus pelo mundo não têm a ver com questões teológicas, mas históricas e de costumes, como algumas orações e rituais específicos; com roupas, comidas e inclusive línguas diferentes, apesar de o hebraico ser o idioma base dos ortodoxos. Os judeus portugueses tiveram uma forte influência da cultura católica portuguesa, que foi perpetuada em Amsterdã e Hamburgo", afirma o professor da Unifesp Bruno Feitler.
Segundo Daniel Breda, do Arquivo Histórico Judaico no Recife, cristãos-novos portugueses adotaram nomes portugueses.
Feitler acrescenta que "alguns dos convertidos espanhóis adotaram sobrenomes específicos, como Santa Fé, mas a maioria dos convertidos simplesmente tomou sobrenomes comuns ou de padrinhos. Há casos de inquisidores julgando judeus que tinham o mesmo sobrenome que eles! A ideia de que sobrenomes portugueses baseados em nome de árvore ou animal têm origem judaica é mito infundado". / G.C.
Brasil não tem mais descendente do grupo de judeus do Recife
Segundo historiador, no século 17 eles não puderam permanecer no Brasil sob domínio da coroa portuguesa
Não há mais descendentes dos judeus que estiveram no Recife no século 17 atualmente no Brasil. Todos retornaram para a Holanda ou integram a árvore genealógica dos que partiram para Nova York. "A história dos 23 é realmente sui generis. Os outros navios (com judeus do Recife) voltaram aos Países Baixos (Holanda) e de lá realmente muitos 'ex-brasileiros' retornaram à América para tomar parte nas incursões colonizadoras do Caribe, não só sob bandeira holandesa, mas também francesa e inglesa. Atualmente, há remanescentes judaicos no Suriname e em Curaçau", afirma Daniel Breda, do Arquivo Histórico Judaico no Recife, que estudou a história dos judeus portugueses na Holanda.
Segundo o historiador, que tem origem judaica portuguesa, "os judeus residentes no Recife holandês não tiveram a possibilidade de permanecer no Brasil sob jugo português. Em janeiro de 1654, o comandante das tropas luso-brasileiras, Barreto de Menezes, após a capitulação dos holandeses, garantiu somente três meses de salvo-conduto aos judeus. Ele deixou bem claro que os judeus que em algum momento haviam sido batizados e voltado a exercer o judaísmo durante o domínio holandês estariam sujeitos à Inquisição".
Breda afirma haver histórias de algumas famílias que se dispersaram pelo sertão nordestino. "Mas nunca vi um estudo comprobatório que demonstre linearmente a descendência de um judeu praticante do Brasil Holandês remanescente no País. O que posso afirmar com certeza é que antes e depois dos holandeses havia cristãos-novos, às vezes de famílias convertidas havia muitas gerações, vivendo por todo o Brasil."
O historiador acrescenta que "nem todos os que estavam lá em 1630 passaram a professar o judaísmo publicamente". "Portanto, há descendentes de cristãos-novos no Nordeste inteiro, mas naturalmente, como em todo o País, trata-se de uma composição parcial da genética do brasileiro, tal como negros, índios e outros grupos caucasianos." Uma das marcas da presença judaica no Recife é a Rua Bom Jesus, antes conhecida como Rua dos Judeus. / G.C.
Recife também tem Muro das Lamentações
A exemplo do que ocorre em Jerusalém, na mais antiga sinagoga das Américas visitantes costumam deixar bilhetinhos com pedidos e orações
Resgatada em 1998 por um grupo de historiadores e arqueólogos, a Primeira Sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel, funciona como museu desde 2002 e tem sua sacralidade reconhecida por muitos dos seus visitantes. Em uma analogia com o que ocorre no Muro das Lamentações, em Jerusalém, considerado o recanto mais sagrado do Judaísmo, eles costumam colocar nas frestas das suas paredes sem reboco bilhetinhos com pedidos e orações.
A Kahal Zur Israel funcionou de 1636 a 1654 na antiga Rua dos Judeus - hoje Rua do Bom Jesus - no bairro do Recife Antigo, durante o período de ocupação holandesa. Foi construída por judeus portugueses que, perseguidos pela Santa Inquisição, refugiaram-se depois na Holanda e em outros países, como os Estados Unidos. Em Pernambuco, formaram a Kahal Kadosh Zur Israel, ou Santa Congregação Rochedo de Israel. Na época, esta parte do Brasil era quase extensão da Holanda, com liberdade de culto religioso.
"Fiz meu pedido por algo coletivo, pela paz mundial", contou a farmacêutica cearense Lia Queiroz, que mudou para o Recife há três anos e conheceu a sinagoga, visitada por uma média de 1,5 mil pessoas por mês. Para ela, qualquer lugar é bom para se pedir pelo bem da humanidade.
A turismóloga pernambucana Rosimar Holanda, que já havia conhecido a sinagoga em uma atividade do curso, reconhece o espaço como um local sagrado e pediu pela família. Os bilhetinhos são respeitados pelos funcionários da sinagoga, que só os recolhem quando eles caem naturalmente. "Mesmo assim, ninguém os abre", afirma a gestora do museu, que abriga o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, Tânia Kaufman.
Muralha. O Muro das Lamentações é resquício da antiga muralha que cercava o Templo de Jerusalém, destruída pelos romanos nos anos 70 d.C., após vitória sobre os judeus.
Na mais antiga sinagoga das Américas, suas paredes foram mantidas intocadas e sobreviveram às reformas e alterações feitas no local nos últimos 362 anos, desde o fechamento da sinagoga, depois da expulsão dos holandeses. O fato, segundo Kaufman, aliado à atmosfera de espiritualidade e história, pode ajudar a explicar os pedidos e orações, a exemplo do que ocorre no Muro das Lamentações.
Família Lobo Leite
Família retira tesouro mineiro de velhas malas
Documentos guardados em um apartamento em Brasília revelam detalhes do Brasil colônia, especialmente de Minas, a partir da chegada da família Lobo Leite ao país. Uma herdeira e uma antropóloga estão debruçadas sobre o material e começam a identificar fotos, cartas e mapas
Publicação: 15/07/2012 07:09
Atualização: 15/07/2012 07:42
Portal Uai
Brasília Por três décadas, documentos centenários que contam parte da história de Minas Gerais e do país estão guardados em um apartamento do Bloco F da 311 Sul, na capital federal. Alguns desses papéis vêm sendo preservados há séculos por integrantes de uma família com origem em Portugal e detentora de títulos do império, que veio para o Brasil na época das sesmarias, se mudou para o interior mineiro no auge do Ciclo do Ouro e acabou se estabelecendo, em sua maioria, no Distrito Federal. O mistério em torno desse tesouro começa a ser desvendado por uma das herdeiras, com a ajuda de uma antropóloga da Universidade de Brasília. Elas pesquisam milhares de páginas e fotografias, amareladas pelo tempo.
Ambas decidiram, há um mês, abrir as duas malas de couro nas quais estavam o acervo. Desde então, marcam encontros semanais para identificar o conteúdo também entraram em contato com o Arquivo Histórico de Minas Gerais e o Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, para uma possível restauração e guarda dos documentos. Há dezenas de autorizações emitidas pelo Reino de Portugal para exploração de fazendas e jazidas em Minas; mapas feitos a mão para a construção de estradas de ferro e da topografia de cidades, serras e fazendas da região de Ouro Preto; cartas pessoais; todo tipo de registros cartorários; e retratos em preto e branco.
O mais antigo documento identificado até agora data de 1793 e partiu da Corte portuguesa. Existe ainda uma carta de sesmaria assinada por dom. Manoel de Portugal, de 1821, e fotos feitas em Paris, em 1891. Os retratos mostram integrantes da família Lobo Leite, dona de tal acervo. Por muito tempo, ela foi a mais influente de Congonhas, na Região Central de Minas. Tanto que dá nome a um povoado afastado do Centro da cidade, próximo ao município de Ouro Branco. O distrito tem o segundo maior e mais importante conjunto arquitetônico da cidade. O primeiro é o do Centro Histórico de Congonhas, onde, entre outros, ficam os profetas de Aleijadinho.
Lobo Leite também denomina a estação ferroviária de Congonhas. E dos representantes mais ilustres da família está o engenheiro Francisco Lobo Leite Pereira (1843-1920), chefe do prolongamento das Estradas de Ferro Central do Brasil. A maioria dos documentos guardados no apartamento em Brasília pertencia a ele, que instruiu os filhos a preservarem os papéis e, assim, criou-se uma tradição. A família doou grande parte dos arquivos ao Arquivo Nacional, em 1947. Outro tanto se perdeu com o abandono do casarão da família Lobo Leite. Construído no século 19, no povoado de Lobo Leite, o imóvel sofreu até um incêndio. Doado ao poder público, é restaurado pela prefeitura.
Olhar sobre uma época Para a antropóloga Verônica Lins de Oliveira Maia, os documentos conservados pelos Lobo Leite descrevem um período da história do Brasil. "Remontam a uma história comprida, rica, além dos valores de uma época, como a participação das mulheres e dos escravos na sociedade", observa. Entre outras descobertas, ela identificou comprovações sobre um dos Lobo Leite investigado pela Corte portuguesa por supostamente integrar o movimento da Inconfidência Mineira, que custou a cabeça de Tiradentes. "Ele acabou absolvido por falta de provas. Salvou o pescoço", conta.
Outro personagem que ela destaca é o médico Álvaro Lobo Leite Pereira. "Ele integrou a equipe do Instituto Osvaldo Cruz que mostrou a necessidade do iodo no sal", diz a antropóloga. Verônica Maia deu início a esse trabalho a convite da amiga e advogada Iara Lobo de Figueiredo, de 44 anos. "Minha mãe sempre dizia para guardar bem as malas, que ali havia muita coisa curiosa da história da nossa família e de Congonhas, mas que era para abri-las depois da morte dela", lembra.
Os Lobo Leite se mudaram para Brasília em 1976. Maria Alice Lobo Leite Burle, a tia que criou Iara como filha, morreu em 2008, aos 74 anos. Mas, no apartamento da família, ainda ficaram o marido, o médico Maurício Carvalho Burle, e um dos seis filhos dela, Lauro. Maurício morreu em dezembro último, aos 84 anos, e o filho, há pouco mais de um mês, com 54. "Meu irmão era o último guardião desses documentos. Achei que estava na hora de abrir essas malas", explica Iara Lobo.
Paciência e delicadeza Ela e a amiga Verônica Maia costumam se reunir às quartas-feiras no apartamento da 311 Sul, onde ninguém mais mora. O resgate que as duas fazem exige paciência e olhar clínico. A maioria dos papéis contém grafia e linguagem de difícil compreensão. Os papéis, além de amarelados, acumularam poeira. Muitos acabaram tendo parte destruída por traças. "Um documento de uma companhia inglesa que dizia respeito à construção da Estrada de Ferro Dom Pedro II espatifou em minha mão. Por essas e outras, precisamos da ajuda de especialistas", pondera Iara.
O apartamento em Brasília é um dos poucos bens em comum dos Lobo Leite, que, apesar das sesmarias, das jazidas de ferro e da pedra-sabão no interior de Minas, não acumulou fortuna. O maior legado da família foi o conhecimento, por meio de juristas, médicos, políticos e diplomatas. Tudo documentado, com parte doado ao Arquivo Nacional. Outro tanto está à espera do interesse e dos cuidados dos estudiosos, em duas malas de couro muito bem guardados em um agora desabitado imóvel da capital federal.
Memória
Expansão da agricultura
Portugal estabeleceu a Lei das Sesmarias em 1375, para ajudar no avanço da agricultura, que se encontrava abandonada em virtude das batalhas internas e da peste negra. Essa lei chegou ao Brasil, de forma adaptada, em 1536, quando o rei dom João III instituiu as capitanias hereditárias. Ele criou 14 distritos, partilhados em 15 lotes e repartidos entre 12 donatários, indivíduos que receberam as terras como doação do governo português e, em contrapartida, tornaram-se pessoas de confiança da realeza.Os donatários, no entanto, tinham que pagar impostos à monarquia. A partir da instituição das capitanias, foi inserido o sistema de sesmarias pedaço de terra devolvido ou abandonado, prática comum durante o Brasil colônia. Cabia a esses donatários permitirem que os colonos cultivassem os nacos de terra e os tornassem novamente produtivos. Caso o proprietário não fertilizasse a terra para a produção e a semeasse, ela seria repassada a outro agricultor que tivesse interesse em cultivá-la.
Documentos do brasil
Fundado em 1838, o Arquivo Nacional é subordinado ao Ministério da Justiça e responsável pela gestão da produção documental da administração pública federal. Do acervo, a partir de 2007, conjuntos de documentos sobre a Inconfidência, a Lei Áurea, as Relações de Vapores (chegada de imigrantes) e o Fundo Agência Nacional, com filmes produzidos pelos serviços de comunicação do governo federal como o extinto Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), foram registrados como Memória do Mundo do Brasil.
Mudanças
A estação foi inaugurada em 1886 com o nome de Soledade, como se chamava o povoado. Mais tarde, passou a se chamar Congonhas, pelo fato de estar nesse município. O nome de Lobo Leite foi dado em 1907. Agora, está em restauro. Deverá ser entregue à comunidade até o fim do ano. Abrigará um telecentro e um salão destinado a artesãos.
Fim social
As ruínas da edificação foram doadas ao município pelos Lobo Leite para que sejam restauradas e ganhem um fim social. A obra começou em maio e o prazo para que a construtora entregue a obra termina em dezembro.
Esculturas
Também conhecida como esteatito, uma variedade de esteatita, a pedra-sabão é muito usada em Minas Gerais para esculturas e ornatos arquitetônicos. Também calçam muitas ruas estreitas das cidades históricas, como Ouro Preto. A resistência e a dureza podem ser comparadas às do mármore, com a vantagem de ser também refratária, suportando temperaturas elevadas.
sábado, 14 de julho de 2012
Projeto Fortalezas Multimidia - Novidades nº60
| Número: 60 [13/07/2012] |
| ||||||
| Confira as newsletters anteriores: www.fortalezasmultimidia.com.br/novidades/newsletter.php.
www.fortalezasmultimidia.com.br
|
Derrube-me se for capaz - Revista de História da Biblioteca Nacional
Boletim eletrônico da Revista de História da Biblioteca Nacional
BFH é nesta terça
Biblioteca Fazendo História discute doenças epidêmicas que marcam o passado e o presente das sociedades urbanas brasileiras. Evento ocorre nesta terça (17), às 16h, na Biblioteca Nacional [Leia mais]
Derrube-me se for capaz
Projeto Fortalezas Multimídia digitaliza todo o acervo documental sobre as primeiras fortificações catarinenses [Leia mais]
O bispo vermelho?
Falecido aos 91 anos no Rio de Janeiro, D. Eugenio Sales foi uma importante figura da ala conservadora da Igreja Católica, tendo sido um dos mais ferrenhos opositores à Teologia da Libertação [Leia mais]
Cine História: Guerra sem cortes
Por meio do plano-sequência, diretores de cinema aproximam o espectador de grandes dramas históricos [Leia mais]
Arte em família
Exposição que resgata 90 obras dos artistas baianos João Francisco e Manoel Lopes Rodrigues marca os 94 anos da fundação do Museu de Arte da Bahia [Leia mais]
Loja virtual
Na Loja virtual da Revista de História, você pode assinar a revista por um ou dois anos, além de comprar exemplares da revista História da Ciência, assim como a coleção História no Bolso. [Confira]
sexta-feira, 13 de julho de 2012
ORIUNDI - Edição 444 - Giornalismo fatto con passione
Anno 9 - Numero 444 - Venerdì, 13/07/2012 Imigração/Immigrazione I migranti visti dai cittadini residenti in Italia [it] Il 59,5% dei cittadini afferma che nell'Italia gli immigrati sono discriminati, cioè sono trattati meno bene degli italiani. In particolare, la maggior parte degli intervistati ritiene... Trabalho/Lavoro Ocse: in Europa 48 milioni di disoccupati [it] Sono circa 48 milioni i disoccupati in Europa, quasi 15 milioni in più rispetto all'inizio della crisi finanziaria nel 2007. E' quanto emerge dall'ultimo rapporto dell'Ocse... Cidadania italiana/Cittadinanza italiana Cittadinanza per matrimonio, nuove regole: il prefetto di Firenze firma i primi 200 decreti [it] Sono 200 i primi decreti di concessione della cittadinanza italiana per matrimonio firmati in questi giorni dal prefetto Luigi Varratta. Si avvia così anche a Firenze la nuova fase di attuaz... Altre notizie
Spazio dei lettori Programa de radio. Municipio do Rio Grande do Sul Sobradinho. Gemellaggio com Cornedo Vicentino (VI) IT. Projeto Leão na Praça - COMVERS[ leggi tutto ] |
Imigração Alemã no Brasil - Panorâmica e questionamentos - por Gerhard Erich Boehme
BrasilAlemanha - De Primeiro Mundo por um Brasil de Primeiro Mundo Notícia do portal www.brasilalemanha.com.br - um universo temático à sua espera. Aguardamos sua visita! Cadastre seus amigos (quadro abaixo), que poderão descadastrar-se a qualquer momento, sem problema, caso assim optarem, acionando mecanismo simples de remoção, inserido no próprio mailing. Ou mande suas sugestões para: contato@brasilalemanha.com.br. Obrigado! Sílvio Aloysio Rockenbach, editor. |
terça-feira, 10 de julho de 2012
Colonos suíços
Colonos Suíços
|
Autor(es): Xico Graziano |
| O Estado de S. Paulo - 10/07/2012 |
| Em junho de 1855, uma leva de imigrantes suíços aportou em Santos, vinda no navio Kronprinz Ernest August. A bordo estava o mestre-escola Thomas Davatz. Eles traziam na bagagem a esperança de se tornar, muito antes dos italianos, colonos do café. Fascinante história. A incrível jornada da primeira imigração europeia destinada ao trabalho nas lavouras cafeeiras começou, formalmente, em 1847. Essa é a data de fundação da Colônia Senador Vergueiro, um empreendimento promovido na Fazenda Ibicaba, situada no município paulista de Limeira. A inovadora ideia criaria, por um século, um regime agrário único: o colonato paulista. No contrato, escrito, de parceria oferecido aos imigrantes residia a grande novidade do sistema Vergueiro. O pioneiro termo estabelecia certo número de pés de café para cada família zelar, desde o plantio até a colheita. Esta se repartiria entre o colono e o fazendeiro. Facultava-se ainda o plantio de gêneros alimentícios no entremeio da lavoura principal, quando ainda nova, ou em áreas marginais da propriedade. Todas as transações se registrariam em cadernetas. Nomeavam-se árbitros que, em reuniões públicas, resolviam as dúvidas porventura surgidas entre as partes contratantes. Fazendeiros tradicionais, acostumados com as regras rígidas da escravatura, e culturalmente formados no modelo latifundiário nordestino, achavam liberal demais a proposta Vergueiro. Mas a busca de braços livres agradou no Velho Mundo. Ela oferecia uma espécie de eldorado aos camponeses europeus, começando por aqueles que viviam miseravelmente nos Alpes suíços. Naquela época, tendo entrado pelo Vale do Paraíba, do Rio de Janeiro rumo a São Paulo, os cafezais começavam a se estabelecer nas terras roxas da região de Campinas. Por ali se estabeleceram também as primeiras famílias de imigrantes, retratadas genuinamente nas Memórias de um Colono no Brasil, livro escrito em 1858 por quem vivenciou aquela jornada: o suíço Thomas Davatz. Ele relatou a labuta diária, os sonhos e os pesadelos da sua gente, que trocou a pátria-mãe buscando o progresso no além-mar. Seu livro representa um extraordinário depoimento, único na historiografia nacional, sobre as condições de vida dos primeiros imigrantes que chegaram para trabalhar na formação da economia cafeeira de São Paulo. Emociona o leitor moderno. Davatz começa por descrever os aspectos singulares da nova terra para onde vieram seus patrícios trabalhar. Impressionam-no as enxurradas no verão, a força vegetativa da terra, as doenças que os ameaçam, pernilongos e abelhas que os picam, cobras, formigas saúvas. Destaca o "perigo" do desconhecido bicho-de-pé, larvas que lhes provocam ferimentos doloridos embaixo das unhas. Vida de Jeca Tatu. É realmente fantástico. Imaginem, há 157 anos, desembarcarem por aqui alvos povos acostumados ao gelo das montanhas, destinados a enfrentar as vicissitudes da Mata Atlântica, carpindo e colhendo café junto com escravos, morando em taperas corroídas pelo quente e úmido clima tropical. Um agravante: boa parte deles nem sequer tinha experiência na lida da terra. Atesta o historiador Sérgio Buarque de Holanda, tradutor do livro de Davatz. No rico prefácio da obra ele esclarece que, em certo sentido, havia uma política de verdadeira depuração nacional nos países de origem, que empurravam para a fila dos navios não apenas camponeses de fato, mas gente de todo tipo, incluindo bandidos e idosos, deficientes e desocupados. Não seria fácil seu destino. O martírio começava no desembarque do navio. Tudo precaríssimo. Nem a Hospedaria dos Imigrantes, construção famosa décadas mais tarde, fora ainda erguida. Recepcionados no pátio, ali receberiam as instruções sobre a fazenda onde se fixariam. Dura viagem. O grupo suíço de Davatz levou 17 dias, desde a subida da Serra do Mar até a Fazenda Ibicaba, marchando a pé, somente as crianças nas cestas das mulas, em carros de boi a caravana. Uma epopeia. Alguns navios os trouxeram. Ao todo, seguindo a receita da parceria de Vergueiro para o café, 26 colônias se instalaram em fazendas situadas nos municípios de Limeira, Rio Claro, Campinas, Amparo, Jundiaí, Pirassununga e Piracicaba. Nelas residiam, segundo levantamento da época, 251 famílias de suíços, com ascendência alemã ou francesa, um contingente de 1.180 pessoas. Maior que o de alemães, belgas ou portugueses, companheiros de ilusão. Afora as angústias da mente, saudosa do berço original, e os sofrimentos da carne, advindos do árduo trabalho na roça, surgiram desconfianças financeiras entre os colonos e o patrão. Que cresceram com frustrações na colheita. Uma sequência de ameaças e mal-entendidos criou um caldo efervescente que resultou num dos fatos históricos mais surpreendentes, e desconhecidos, da época do café: a Revolta de Ibicaba. Na véspera do Natal de 1856, um grupo de 85 colonos suíços, liderados por Davatz, pegou em armas para protestar. Sua narrativa descreve em detalhes "o levante dos colonos contra seus opressores". Mas há controvérsias sobre o ocorrido. Outros personagens depõem contra o comportamento intolerante de Davatz. Encrenqueiro era sua fama. Não houve tiros, nem violência. Mas acabara ali, naquela grita de Ibicaba, a experiência de parceria no café que trouxera ao Brasil, pioneiramente, os suíços. Assustaram-se os europeus com o episódio, suspendendo os embarques. Parecia propaganda enganosa. Quem veio permaneceu. E, duramente, venceu. Essa é a origem, entre nós, dos Heitzmann, Schmidt, Altmann, Lutz, Rupert, colonos suíços que ajudaram a construir a riqueza do Brasil. Vinte anos depois, chegaram os italianos. |
sábado, 7 de julho de 2012
Males que apavoram o Brasil - Revista de História da Biblioteca Nacional
Boletim eletrônico da Revista de História da Biblioteca Nacional
Urbanismo para quem?
Grandes eventos expõem caráter segregador e rodoviarista da Barra da Tijuca, bairro nobre da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Historiadores criticam projeto elaborado por Lucio Costa na década de 1960 [Leia mais]
Males que apavoram o Brasil
Biblioteca Fazendo História discute doenças epidêmicas que marcam o passado e o presente das sociedades urbanas brasileiras. Evento ocorre terça (17), às 16h, na Biblioteca Nacional [Leia mais]
Nasce um clássico
Há cem anos, ocorria o primeiro Fla-Flu da história. O tradicional Fluminense venceu os incipientes rubro-negros por 3 a 2, inaugurando um clássico futebolístico que avançaria o século e dividiria torcidas [Leia mais]
Memória dinâmica
Acervo online do Estadão fecha alguns recursos do hotsite para assinantes, bibliotecas e universidades conveniadas. Projeto tem nova abordagem do passado e se diferencia das demais iniciativas de digitalização de periódicos no Brasil [Leia mais]
Cine História: Autópsia da razão
Acervo online do Estadão fecha alguns recursos do hotsite para assinantes, bibliotecas e universidades conveniadas. Projeto tem nova abordagem do passado e se diferencia das demais iniciativas de digitalização de periódicos no Brasil [Leia mais]
Bolivarianismo em xeque
Venezuela vai às urnas em outubro. População decidirá se Hugo Chávez permanece ou não no poder. Apesar dos meses pela frente, algumas polêmicas já afetam a campanha da oposição [Leia mais]
Memórias da guerra
Exposição em homenagem aos 80 anos da Revolução Constitucionalista de 1932 chega em Brasília no dia 4 e fica em cartaz até o fim do mês [Leia mais]
Triste despedida
Morre o historiador Antonio Jacó Brand, um dos maiores pesquisadores de educação indígena no Brasil [Leia mais]
Impérios que viraram Estados
Em entrevista à RHBN David Armitage, professor de Harvard, fala sobre a Declaração de Independência dos EUA [Leia mais]
Hermanos independentes
Conhecer a formação dos países vizinhos pode ser um importante recurso para apresentar nossa História aos alunos [Leia mais]
Loja virtual
Na Loja virtual da Revista de História, você pode assinar a revista por um ou dois anos, além de comprar exemplares da revista História da Ciência, assim como a coleção História no Bolso. [Confira]

